Palestra de Jorge de Almeida
O Música na Cabeça, parceria da Osesp com o jornal O Estado de S. Paulo, disponibiliza aqui a quarta parte do áudio de sua primeira palestra, apresentada pelo Professor Jorge de Almeida.
Além da apresentação, os palestrantes produzem um ensaio sobre o mesmo tema. Leia um trecho abaixo:
Discutir a atualidade de Mahler é sempre um problema, pois ele se julgava, como Nietzsche, um extemporâneo, um “contemporâneo do futuro” (título de uma de suas melhores biografias). Em cartas aos amigos, abalado pela péssima recepção de suas obras, ele frequentemente dizia: “meu tempo ainda virá”. O tempo que Mahler esperava chegou apenas na década de 1960, principalmente após os eventos de comemoração de seu centenário de nascimento. Novos maestros, também compositores, como Leonard Bernstein e Pierre Boulez, comandaram esse “renascimento”, que foi acompanhado pela publicação de obras-primas da crítica musical, como a “fisiognomonia” de Theodor Adorno e o monumental estudo de Henry-Louis de La Grange.
Em nosso mundo ambiguamente caótico, os violentos e irônicos “mundos” de Mahler ainda podem soar como um corajoso desafio. Suas sinfonias incomodam, precisam incomodar, pois, como disse Adorno, “a música de Mahler é crítica, é uma crítica à aparência estética, e também à cultura na qual esta se move”. Ouvir sua música aqui na Sala São Paulo, nos dois próximos anos, é um convite para abrir os ouvidos a essa crítica, enfrentar os ruídos da cidade que nos cerca, repensar as contradições e crises que nos unem ao outro lado da rua, para além das belas melodias. Só assim os mundos de Mahler terão algum sentido, e sua música alguma esperança.
Leia aqui o ensaio completo de Jorge de Almeida.




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Wagner começou a conceber Os Mestres Cantores de Nürnberg em 1845, como um apêndice cômico a Tannhäuser. A inspiração era o teatro grego, no qual uma peça satírica seguia-se a uma tragédia. E foi no verão do mesmo ano, em Marienbad, logo depois de terminar a composição de Tannhäuser, que o compositor começou a esboçar o libreto dos Mestres Cantores. Contudo, a música só o ocupou 16 anos mais tarde: em 1861, em uma viagem de trem entre Veneza e Viena, Wagner iniciou a composição do Prelúdio da ópera em três atos, que só viria a estrear em 1868, em Munique.