Dança húngara nº 1

16/07/2009 às 15:53

Johannes Brahms

John Neschling regente
Osesp
Gravada em abril de 2005 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

osesp_plateiaO lado feliz e extrovertido de Brahms — que em poucos momentos transparece em sua música—, o jeito muito pessoal com o ritmo e a síncope e a impregnação das paisagens musicais centro-européias se refletem nas 21 Danças húngaras, compostas em duas séries de dez e onze, respectivamente em 1869 e 1880. A influência da vizinha Hungria se fez sentir cedo em sua vida, quando, aos 20 anos, ele formou duo com o violinista húngaro Eduard Remenyi; são numerosas suas obras orquestrais, de câmara e para piano em que tem vazão esse gosto pelo estilo cigano.

Compostas a partir de temas populares para piano a quatro mãos —na época, a mais popular maneira de fazer música em casa—, somente as Danças de nºs 1, 3 e 10 do primeiro livro foram orquestradas pelo próprio Brahms.

Clóvis Marques é jornalista e crítico musical.

Os Pássaros: O cuco

13/07/2009 às 12:09

Ottorino Respighi

- O Cuco (trecho)

Victor Hugo Toro regente
Orquestra de Câmara da Osesp
Gravada em setembro de 2008 na Sala São Paulo

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foto: João Musa

A suíte Os Pássaros é inspirada em peças de antigos compositores italianos e franceses e recria, com pureza, a atmosfera musical do período barroco.

Um espirituoso prelúdio do organista romano Bernardo Pasquini (século XVII) abre a cortina dos tempos. Segue-se A Pomba, expressiva composição de Jacques Gallot (século XVI), em solo de oboé. Ao final, em sutil efeito, Respighi sugere o levantar de vôo da ave, ao som de um leve glissé ascendente da harpa.

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Os Pássaros

03/07/2009 às 17:07

Ottorino Respighi

- Prelúdio (trecho)

Victor Hugo Toro regente
Orquestra de Câmara da Osesp
Gravada em setembro de 2008 na Sala São Paulo

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foto: Desirée Furoni

Excelente instrumentista, de temperamento lírico e amante dos grandes efeitos musicais, com apenas 21 anos, Respighi é contratado como violinista da Orquestra da Ópera de São Petersburgo. Na Rússia, sob a orientação de Rimsky-Korsakov, aprimora-se em composição e orquestração. Posteriormente, estudou na Alemanha, com Max Bruch. Essas oportunidades permitiram-lhe desenvolver um estilo próprio, unindo sua exímia técnica instrumental às conquistas harmônicas e colorísticas do impressionismo francês.

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Pequena Missa Solene

25/06/2009 às 13:30

Gioacchino Rossini

- Et vitam venturi saeculi

Naomi Munakata regente
Coro da Osesp
Gravada em novembro de 2008 na Sala São Paulo

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foto: Ana Fuccia

A Petite Messe solennelle teve sua primeira execução pública em 1869 ―após, portanto, a morte de Rossini―, no Théâtre Italien e na versão orquestral que havia sido elaborada pelo compositor nos anos de 1866-67.

O título da obra é enganador, pois a Petite Messe solennelle ―com duração de cerca de 80 minutos!― não é nem petite nem muito solennelle. Poderíamos acrescentar que a obra tampouco é especialmente litúrgica…

Rossini disse que a Petite Messe solennelle foi o seu “derradeiro pecado mortal de velhice”. O manuscrito da obra contém anotações muito interessantes, que revelam a natureza espirituosa e perspicaz do compositor, ao dirigir-se diretamente a Deus:

“Bom Deus. Está concluída esta pobre pequena missa. Será que é mesmo música sacra que eu acabo de fazer ou uma música maldita? Eu nasci para a Opera buffa, tu bem o sabes! Um pouco de conhecimento, um pouco de coração, tudo está lá. Seja abençoado e me conceda o Paraíso.”

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Pequena Missa Solene

18/06/2009 às 13:25

Gioacchino Rossini

- Kyrie

Naomi Munakata regente
Coro da Osesp
Gravada em novembro de 2008 na Sala São Paulo

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Após ter mudado dramaticamente o rumo de sua vida, ao se retirar da vida artística e desistir da composição em 1830, Gioacchino Rossini criou somente duas obras verdadeiramente importantes no longo período de 38 anos que antecedeu a sua morte.

Curiosamente, trata-se de duas obras de inspiração religiosa: o Stabat Mater composto na Itália em 1842 e a Petite Messe Solennelle escrita em Paris no verão de 1863.

Rossini compôs a Petite Messe Solennelle em sua propriedade de Passy, nos arredores de Paris. A notícia de que o grande mestre italiano havia completado uma nova obra sacra de grande porte causou sensação. Já em agosto de 1863, essa novidade havia atravessado o Atlântico, e a revista norte-americana Aesthetic Magazine publicou um artigo com o título de ‘A Missa misteriosa de Rossini’. Leia mais…

Réquiem, KV 626

14/05/2009 às 10:56

Wolfgang A. Mozart

- Confutatis
- Lacrimosa

John Neschling regente
Osesp
Gravada em dezembro de 2006 na Sala São Paulo

requiem2_mozartAo analisar o Réquiem, vislumbra-se a confrontação pessoal e artística do autor com o imponderável —a morte. Essa atitude se anuncia já no prelúdio instrumental, tecido por clarones e fagotes e por timbres alternados das cordas; graves, agudos, graves, agudos… É um lamento ‘conformado’, interrompido pela turbulência dos trombones, trompetes e tambores: a fatalidade se apresenta! Assustadora, redentora? Em carta ao pai, Mozart, 31 anos, disse: “A morte é a meta final; vejo-a como a melhor amiga da humanidade; mas, ao morrer, o que será de mim?”.
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Réquiem, KV 626

07/05/2009 às 19:11

Wolfgang A. Mozart

- kyrie
- dies irae

John Neschling regente
Osesp
Gravada em dezembro de 2006 na Sala São Paulo

requiem_mozartO Réquiem em ré menor, KV 626, é uma das obras mais enigmáticas da história da música. Abraçam-no lances de suspense, desde que foi encomendado anonimamente a Mozart pelo conde Franz Walsegg Stuppach, até a morte do compositor. O conde tinha a veleidade de assumi-lo como obra de sua própria autoria e pretendia apresentá-lo em memória da esposa, falecida ainda jovem. Em julho de 1791, quando ainda trabalhava em A Flauta mágica, Mozart recebeu a visita de um emissário do conde. Este lhe propôs 60 ducados (30 adiantados) para escrever a missa fúnebre; não se identificou, não lhe explicou a origem do pedido, e desapareceu sem deixar pistas. Seis meses depois, Mozart morreu e quem completou o Réquiem foi Franz Xaver Süssmayr, seu aluno. Com o passar do tempo, esses fatos cobriram-se de sedutoras lendas e especulações. Uma delas, levada à tela em Amadeus (1984) pelo diretor Milos Formam. Leia mais…

Idomeneo, KV 366

30/04/2009 às 16:41

Wolfgang A. Mozart

- Abertura

John Neschling regente
Osesp
Gravada em dezembro de 2006 na Sala São Paulo

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foto: João Musa

Sob encomenda do intendente da corte de Munique, Mozart compôs a ópera Idomeneo, estreada em 29 de janeiro de 1781 no Residenz Theater, hoje Cuvilliés, daquela cidade. O libretista, Gianbattista Varesco, abade da capela da corte em Salzburg, baseou-se no Idomenée, escrito pelo professor de retórica e teatrólogo Antoine Danchet e musicado por André Campra. Idomeneo (Idomeneo, rè di Creta) é um dramma per musica em três atos, abertura e 32 números, dos quais dois são balés. Em cena, sete personagens (entre eles Idomeneo, rei de Creta; Idamante, seu filho; Ilia, princesa troiana; e Elletra, princesa de Argos, filha de Agamennon). Esta é a terceira e maior incursão de Mozart na ‘ópera séria’ (as anteriores, Mitridate e Lucio Silla, foram escritas, respectivamente, em 1770 e 1772). Leia mais…

Réquiem

23/04/2009 às 11:53

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foto: João Musa

José Maurício Nunes Garcia

- Introitus
- Kyrie

Cláudio Cruz regente
Osesp
Gravada em outubro de 2004 na Sala São Paulo

José Maurício Nunes Garcia escreveu várias obras fúnebres, entre as quais o Réquiem apresentado neste programa, composto em 1816. Esta obra está ligada às cerimônias em homenagem a D. Maria I, rainha de Portugal, que falecera em 20 de março de 1816, no Rio de Janeiro. Este Réquiem, entretanto, não foi executado nas exéquias oficiais, realizadas na Capela Real, como tradicionalmente se acreditava, e sim na Ordem Terceira do Carmo.

A musicografia mauriciana tem ressaltado o fato de a mãe de José Maurício, a mulata Vitória Maria, ter morrido no mesmo dia que D. Maria I, apontando o fato de o Réquiem, dedicado à rainha, ter sido escrito, ao mesmo tempo, em memória de sua mãe. Segundo o Visconde de Taunay, “o Réquiem foi composto entre lágrimas”.

Esta foi a primeira obra de um compositor brasileiro do período colonial editada em nosso País, em 1897, a cargo do compositor Alberto Nepomuceno (1864-1920). Essa edição apresenta modificações importantes em relação aos autógrafos. Mas foi de vital importância na divulgação do compositor carioca, tanto no Brasil quanto no exterior. Várias edições, integrais ou parciais, foram feitas a partir dela, inclusive fora do Brasil, e a peça chegou a ser executada em Roma, Bruxelas e Montevidéu, ainda na passagem do século XIX para XX.

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Russlan e Ludmila

16/04/2009 às 19:18

Mikhail Glinka

Abertura

John Neschling regente
Osesp
Gravada em outubro de 2008 na Sala São Paulo

foto: João Musa

Glinka foi criado por uma avó, recluso num lugarejo da zona rural russa, e até a idade de 11 anos nunca ouviu música ocidental, somente sinos de igreja e as canções de camponeses e cocheiros. Mais tarde, como estudante na Alemanha, deu-se conta de que sua missão era a de ‘russificar’ a música russa, que até então se atinha a modelos italianos e germânicos. Sua imaginação naturalmente se desabrochava em ritmos ágeis e admitia o modalismo e a dissonância de origem folclórica, o que o colocou na historia como “pai” da música nacionalista russa, especialmente por conta de suas duas óperas: Uma Vida pelo Czar e Russlan e Ludmila. Leia mais…

Variações Enigma, Op.36

13/04/2009 às 20:23

Edward Elgar

XIV. (E.D.U) Finale

Yan Pascal Tortelier regente
Osesp
Gravada em março de 2009 na Sala São Paulo

O início de Temporada da Osesp em 2009 não poderia ser mais adequado: 5 de março foi recentemente escolhido como o Dia Nacional da Música Clássica. Além disso foi a estreia do novo regente principal da orquestra: o francês Yan Pascal Tortelier, que assumiu oito programas desta temporada, entre eles a abertura e o encerramento da temporada.

Além das novidades, o concerto foi transmitido quase que ao vivo pela TV Cultura, dentro do projeto, Noites Clássicas.

O repertório deste primeiro contato com o público paulista com o regente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo contou com duas grandes obras sinfônicas: Variações Enigma, Op.36, de Edward Elgar, e Sinfonia nº 2 em mi menor, Op.27, de Rachmaninov.

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Paysage

01/04/2009 às 16:00

imagem: "Paysage de Printemps à Giverny", Claude Monet

imagem: "Paysage de Printemps à Giverny", Claude Monet

Francisco Braga

John Neschling regente
Osesp
Gravada em abril de 2008 na Sala São Paulo

Autor do Hino à Bandeira, o carioca Francisco Braga foi um menino pobre, que venceu na vida graças à música. Ficou órfão de pai aos oito anos, entrando para o Asilo de Meninos Desvalidos, onde recebeu instrução musical. Uma bolsa de estudos o levou à Europa; estudou no Conservatório de Paris (na classe de composição de Jules Massenet, o autor de Manon), ouviu óperas de Wagner na Alemanha, teve suas obras tocadas por boas orquestras européias. Na volta ao Brasil, aplicou por aqui o saber adquirido lá fora, como professor do Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro. Relativamente esquecida após seu falecimento, sua obra vem sendo resgatada pela Osesp, que já lançou, no mercado internacional, um CD com a ópera Jupyra e o poema sinfônico Cauchemar.

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