Pequena Missa Solene

18/06/2009 às 13:25

Gioacchino Rossini

- Kyrie

Naomi Munakata regente
Coro da Osesp
Gravada em novembro de 2008 na Sala São Paulo

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Após ter mudado dramaticamente o rumo de sua vida, ao se retirar da vida artística e desistir da composição em 1830, Gioacchino Rossini criou somente duas obras verdadeiramente importantes no longo período de 38 anos que antecedeu a sua morte.

Curiosamente, trata-se de duas obras de inspiração religiosa: o Stabat Mater composto na Itália em 1842 e a Petite Messe Solennelle escrita em Paris no verão de 1863.

Rossini compôs a Petite Messe Solennelle em sua propriedade de Passy, nos arredores de Paris. A notícia de que o grande mestre italiano havia completado uma nova obra sacra de grande porte causou sensação. Já em agosto de 1863, essa novidade havia atravessado o Atlântico, e a revista norte-americana Aesthetic Magazine publicou um artigo com o título de ‘A Missa misteriosa de Rossini’. Leia mais…

Réquiem, KV 626

14/05/2009 às 10:56

Wolfgang A. Mozart

- Confutatis
- Lacrimosa

John Neschling regente
Osesp
Gravada em dezembro de 2006 na Sala São Paulo

requiem2_mozartAo analisar o Réquiem, vislumbra-se a confrontação pessoal e artística do autor com o imponderável —a morte. Essa atitude se anuncia já no prelúdio instrumental, tecido por clarones e fagotes e por timbres alternados das cordas; graves, agudos, graves, agudos… É um lamento ‘conformado’, interrompido pela turbulência dos trombones, trompetes e tambores: a fatalidade se apresenta! Assustadora, redentora? Em carta ao pai, Mozart, 31 anos, disse: “A morte é a meta final; vejo-a como a melhor amiga da humanidade; mas, ao morrer, o que será de mim?”.
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Réquiem, KV 626

07/05/2009 às 19:11

Wolfgang A. Mozart

- kyrie
- dies irae

John Neschling regente
Osesp
Gravada em dezembro de 2006 na Sala São Paulo

requiem_mozartO Réquiem em ré menor, KV 626, é uma das obras mais enigmáticas da história da música. Abraçam-no lances de suspense, desde que foi encomendado anonimamente a Mozart pelo conde Franz Walsegg Stuppach, até a morte do compositor. O conde tinha a veleidade de assumi-lo como obra de sua própria autoria e pretendia apresentá-lo em memória da esposa, falecida ainda jovem. Em julho de 1791, quando ainda trabalhava em A Flauta mágica, Mozart recebeu a visita de um emissário do conde. Este lhe propôs 60 ducados (30 adiantados) para escrever a missa fúnebre; não se identificou, não lhe explicou a origem do pedido, e desapareceu sem deixar pistas. Seis meses depois, Mozart morreu e quem completou o Réquiem foi Franz Xaver Süssmayr, seu aluno. Com o passar do tempo, esses fatos cobriram-se de sedutoras lendas e especulações. Uma delas, levada à tela em Amadeus (1984) pelo diretor Milos Formam. Leia mais…

Idomeneo, KV 366

30/04/2009 às 16:41

Wolfgang A. Mozart

- Abertura

John Neschling regente
Osesp
Gravada em dezembro de 2006 na Sala São Paulo

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foto: João Musa

Sob encomenda do intendente da corte de Munique, Mozart compôs a ópera Idomeneo, estreada em 29 de janeiro de 1781 no Residenz Theater, hoje Cuvilliés, daquela cidade. O libretista, Gianbattista Varesco, abade da capela da corte em Salzburg, baseou-se no Idomenée, escrito pelo professor de retórica e teatrólogo Antoine Danchet e musicado por André Campra. Idomeneo (Idomeneo, rè di Creta) é um dramma per musica em três atos, abertura e 32 números, dos quais dois são balés. Em cena, sete personagens (entre eles Idomeneo, rei de Creta; Idamante, seu filho; Ilia, princesa troiana; e Elletra, princesa de Argos, filha de Agamennon). Esta é a terceira e maior incursão de Mozart na ‘ópera séria’ (as anteriores, Mitridate e Lucio Silla, foram escritas, respectivamente, em 1770 e 1772). Leia mais…

Réquiem

23/04/2009 às 11:53

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foto: João Musa

José Maurício Nunes Garcia

- Introitus
- Kyrie

Cláudio Cruz regente
Osesp
Gravada em outubro de 2004 na Sala São Paulo

José Maurício Nunes Garcia escreveu várias obras fúnebres, entre as quais o Réquiem apresentado neste programa, composto em 1816. Esta obra está ligada às cerimônias em homenagem a D. Maria I, rainha de Portugal, que falecera em 20 de março de 1816, no Rio de Janeiro. Este Réquiem, entretanto, não foi executado nas exéquias oficiais, realizadas na Capela Real, como tradicionalmente se acreditava, e sim na Ordem Terceira do Carmo.

A musicografia mauriciana tem ressaltado o fato de a mãe de José Maurício, a mulata Vitória Maria, ter morrido no mesmo dia que D. Maria I, apontando o fato de o Réquiem, dedicado à rainha, ter sido escrito, ao mesmo tempo, em memória de sua mãe. Segundo o Visconde de Taunay, “o Réquiem foi composto entre lágrimas”.

Esta foi a primeira obra de um compositor brasileiro do período colonial editada em nosso País, em 1897, a cargo do compositor Alberto Nepomuceno (1864-1920). Essa edição apresenta modificações importantes em relação aos autógrafos. Mas foi de vital importância na divulgação do compositor carioca, tanto no Brasil quanto no exterior. Várias edições, integrais ou parciais, foram feitas a partir dela, inclusive fora do Brasil, e a peça chegou a ser executada em Roma, Bruxelas e Montevidéu, ainda na passagem do século XIX para XX.

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Russlan e Ludmila

16/04/2009 às 19:18

Mikhail Glinka

Abertura

John Neschling regente
Osesp
Gravada em outubro de 2008 na Sala São Paulo

foto: João Musa

Glinka foi criado por uma avó, recluso num lugarejo da zona rural russa, e até a idade de 11 anos nunca ouviu música ocidental, somente sinos de igreja e as canções de camponeses e cocheiros. Mais tarde, como estudante na Alemanha, deu-se conta de que sua missão era a de ‘russificar’ a música russa, que até então se atinha a modelos italianos e germânicos. Sua imaginação naturalmente se desabrochava em ritmos ágeis e admitia o modalismo e a dissonância de origem folclórica, o que o colocou na historia como “pai” da música nacionalista russa, especialmente por conta de suas duas óperas: Uma Vida pelo Czar e Russlan e Ludmila. Leia mais…

Variações Enigma, Op.36

13/04/2009 às 20:23

Edward Elgar

XIV. (E.D.U) Finale

Yan Pascal Tortelier regente
Osesp
Gravada em março de 2009 na Sala São Paulo

O início de Temporada da Osesp em 2009 não poderia ser mais adequado: 5 de março foi recentemente escolhido como o Dia Nacional da Música Clássica. Além disso foi a estreia do novo regente principal da orquestra: o francês Yan Pascal Tortelier, que assumiu oito programas desta temporada, entre eles a abertura e o encerramento da temporada.

Além das novidades, o concerto foi transmitido quase que ao vivo pela TV Cultura, dentro do projeto, Noites Clássicas.

O repertório deste primeiro contato com o público paulista com o regente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo contou com duas grandes obras sinfônicas: Variações Enigma, Op.36, de Edward Elgar, e Sinfonia nº 2 em mi menor, Op.27, de Rachmaninov.

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Paysage

01/04/2009 às 16:00

imagem: "Paysage de Printemps à Giverny", Claude Monet

imagem: "Paysage de Printemps à Giverny", Claude Monet

Francisco Braga

John Neschling regente
Osesp
Gravada em abril de 2008 na Sala São Paulo

Autor do Hino à Bandeira, o carioca Francisco Braga foi um menino pobre, que venceu na vida graças à música. Ficou órfão de pai aos oito anos, entrando para o Asilo de Meninos Desvalidos, onde recebeu instrução musical. Uma bolsa de estudos o levou à Europa; estudou no Conservatório de Paris (na classe de composição de Jules Massenet, o autor de Manon), ouviu óperas de Wagner na Alemanha, teve suas obras tocadas por boas orquestras européias. Na volta ao Brasil, aplicou por aqui o saber adquirido lá fora, como professor do Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro. Relativamente esquecida após seu falecimento, sua obra vem sendo resgatada pela Osesp, que já lançou, no mercado internacional, um CD com a ópera Jupyra e o poema sinfônico Cauchemar.

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Suíte Antiga

26/03/2009 às 14:07

alberto_nepomucenoAlberto Nepomuceno

I. minueto
II. ária
III. rigaudon

Victor Hugo Toro regente
Osesp
Gravada em março de 2008 na Sala São Paulo

A Orquestra Filarmônica de Berlim, fundada em 1882, havia tido, desde 1887, como regente principal, Hans von Bülow, o lendário parceiro de Wagner e Liszt na defesa da “música do futuro”. No início de 1894, a Filarmônica de Berlim estava de luto com a notícia da morte de von Bülow no Cairo, quando Alberto Nepomuceno, um jovem brasileiro de 29 anos, subiu ao pódio da orquestra para reger a estréia de duas peças de sua própria autoria, a Suite antiga para cordas e o Scherzo para grande orquestra.

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Madrigal – Pavana

19/03/2009 às 16:21

Francisco Braga

Victor Hugo Toro regente
Osesp
Gravado em setembro de 2008 na Sala São Paulo

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foto: André Conti

Antônio Francisco Braga, o compositor do nosso Hino à Bandeira ―sobre versos de Olavo Bilac― por sua modéstia, sensibilidade e extrema competência, marcou, de forma indelével, o cenário musical brasileiro na primeira metade do século XX.

Tendo sofrido privações na infância e sido internado em um Asilo de Meninos Desvalidos aos oito anos, foi estimulado pelo diretor da instituição ao estudo do clarinete. Posteriormente, conseguiu realizar cursos de harmonia e contraponto. Cedo, começa a compor, além de dirigir a banda do asilo. Aos 19 anos, estréia sua primeira obra orquestral, a Abertura fantástica, no Theatro São Pedro, no Rio. Continuou atuando como mestre da banda e professor no asilo por mais alguns anos, quando, em 1890, é contemplado com uma bolsa de estudos para a Europa. Despede-se com carta ao diretor: “Como não seria grato quem, entrando pobre para um estabelecimento de caridade, sai rico de instrução e felicidade?…”

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A Consagração da Casa, Op. 124

03/02/2009 às 10:32

Ludwig van Beethoven

John Neschling regente
Osesp
Gravada em setembro de 2005 na Sala São Paulo
Lançado em CD pelo selo Biscoito Fino

beethoven_osesp_sinfonia_6A abertura para Die Weihe des Hauses (A Consagração da Casa) foi uma das últimas composições para o palco de Beethoven. Ela foi encomendada no começo de 1822 para a reabertura do Josephstadttheater, de Viena, agendada para 3 de outubro do mesmo ano, com a peça A Consagração da Casa, de Carl Meisl. Como o tempo era curto, Beethoven recorreu à música incidental que havia escrito para Die Ruinen von Athen (As Ruínas de Atenas, de 1811, sobre texto de August von Kotzebue), criando três números inéditos: uma marcha, um coro e a abertura que ouviremos hoje.

Na tonalidade de Dó maior, a abertura, curiosamente, não foi executada na reinauguração do teatro, pois acabou não ficando pronta a tempo. Leia mais…

Sinfonia No. 1 em Si b maior, Op.38 - Primavera

12/01/2009 às 14:39

Robert Schumann

I. andante un poco maestoso – allegro molto vivace

John Neschling regente
Osesp
Gravada em abril de 2007 na Sala São Paulo
Lançado em CD pelo selo Biscoito Fino

capa_cd_schumann_250.jpgEm setembro de 1840, superando a violenta oposição de Friedrich Wieck, o pai da noiva, Robert Schumann e Clara Wieck se casaram. A esse acontecimento seguiu-se um excepcional período criativo, em que o compositor escreveu 138 canções no espaço de um ano. Nesse mesmo período nasceu a Sinfonia nº 1 em Si bemol, Op.38, intitulada Primavera. Composta em “horas ardentes”, em “quatro dias e quatro noites sem dormir, entre 23 e 26 de janeiro de 1841”, como relatou Schumann em carta ao compositor Ludwig Spohr, a Sinfonia foi escrita “naquele impulso de primavera, que a cada ano sobrevém ao homem, até a idade mais avançada”.

O início da Primeira Sinfonia, com a chamada das trompas e trompetes, foi inspirado num poema de Adolf Böttger, que evoca o despertar da primavera no vale. Leia mais…