Gioacchino Rossini
- Kyrie
Naomi Munakata regente
Coro da Osesp
Gravada em novembro de 2008 na Sala São Paulo

Após ter mudado dramaticamente o rumo de sua vida, ao se retirar da vida artística e desistir da composição em 1830, Gioacchino Rossini criou somente duas obras verdadeiramente importantes no longo período de 38 anos que antecedeu a sua morte.
Curiosamente, trata-se de duas obras de inspiração religiosa: o Stabat Mater composto na Itália em 1842 e a Petite Messe Solennelle escrita em Paris no verão de 1863.
Rossini compôs a Petite Messe Solennelle em sua propriedade de Passy, nos arredores de Paris. A notícia de que o grande mestre italiano havia completado uma nova obra sacra de grande porte causou sensação. Já em agosto de 1863, essa novidade havia atravessado o Atlântico, e a revista norte-americana Aesthetic Magazine publicou um artigo com o título de ‘A Missa misteriosa de Rossini’. Leia mais…






Ao analisar o Réquiem, vislumbra-se a confrontação pessoal e artística do autor com o imponderável —a morte. Essa atitude se anuncia já no prelúdio instrumental, tecido por clarones e fagotes e por timbres alternados das cordas; graves, agudos, graves, agudos… É um lamento ‘conformado’, interrompido pela turbulência dos trombones, trompetes e tambores: a fatalidade se apresenta! Assustadora, redentora? Em carta ao pai, Mozart, 31 anos, disse: “A morte é a meta final; vejo-a como a melhor amiga da humanidade; mas, ao morrer, o que será de mim?”.
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O Réquiem em ré menor, KV 626, é uma das obras mais enigmáticas da história da música. Abraçam-no lances de suspense, desde que foi encomendado anonimamente a Mozart pelo conde Franz Walsegg Stuppach, até a morte do compositor. O conde tinha a veleidade de assumi-lo como obra de sua própria autoria e pretendia apresentá-lo em memória da esposa, falecida ainda jovem. Em julho de 1791, quando ainda trabalhava em A Flauta mágica, Mozart recebeu a visita de um emissário do conde. Este lhe propôs 60 ducados (30 adiantados) para escrever a missa fúnebre; não se identificou, não lhe explicou a origem do pedido, e desapareceu sem deixar pistas. Seis meses depois, Mozart morreu e quem completou o Réquiem foi Franz Xaver Süssmayr, seu aluno. Com o passar do tempo, esses fatos cobriram-se de sedutoras lendas e especulações. Uma delas, levada à tela em Amadeus (1984) pelo diretor Milos Formam. 



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Alberto Nepomuceno
A abertura para Die Weihe des Hauses (A Consagração da Casa) foi uma das últimas composições para o palco de Beethoven. Ela foi encomendada no começo de 1822 para a reabertura do Josephstadttheater, de Viena, agendada para 3 de outubro do mesmo ano, com a peça A Consagração da Casa, de Carl Meisl. Como o tempo era curto, Beethoven recorreu à música incidental que havia escrito para Die Ruinen von Athen (As Ruínas de Atenas, de 1811, sobre texto de August von Kotzebue), criando três números inéditos: uma marcha, um coro e a abertura que ouviremos hoje.
Em setembro de 1840, superando a violenta oposição de Friedrich Wieck, o pai da noiva, Robert Schumann e Clara Wieck se casaram. A esse acontecimento seguiu-se um excepcional período criativo, em que o compositor escreveu 138 canções no espaço de um ano. Nesse mesmo período nasceu a Sinfonia nº 1 em Si bemol, Op.38, intitulada Primavera. Composta em “horas ardentes”, em “quatro dias e quatro noites sem dormir, entre 23 e 26 de janeiro de 1841”, como relatou Schumann em carta ao compositor Ludwig Spohr, a Sinfonia foi escrita “naquele impulso de primavera, que a cada ano sobrevém ao homem, até a idade mais avançada”.