Os Mestres Cantores de Nürnberg: abertura

30/12/2009 às 11:17

Richard Wagner

John Neschling regente
Osesp
Gravada no concerto ao ar livre de Fortaleza, durante a Turnê Brasil 2008.

Parque do Cocó - FortalezaWagner começou a conceber Os Mestres Cantores de Nürnberg em 1845, como um apêndice cômico a Tannhäuser. A inspiração era o teatro grego, no qual uma peça satírica seguia-se a uma tragédia. E foi no verão do mesmo ano, em Marienbad, logo depois de terminar a composição de Tannhäuser, que o compositor começou a esboçar o libreto dos Mestres Cantores. Contudo, a música só o ocupou 16 anos mais tarde: em 1861, em uma viagem de trem entre Veneza e Viena, Wagner iniciou a composição do Prelúdio da ópera em três atos, que só viria a estrear em 1868, em Munique.

Ambientada em Nürnberg, em meados do século XVI, a ópera narra a luta do jovem cavaleiro Walther von Stolzing para ganhar a mão de Eva, sua amada, em um concurso de canto, com o apoio do sapateiro Hans Sachs e a oposição de Sixtus Beckmesser, personagem que representa o apego às regras estéticas do passado e que é empregado pelo compositor para satirizar o principal crítico musical antiwagneriano do século XIX, Eduard Hanslick.

Se em sua ópera anterior, Tristão e Isolda, Wagner havia levado o cromatismo ao extremo, tensionando os limites do sistema tonal, aqui acontece o oposto: Barry Millington descreve o prelúdio dos Mestres Cantores como “um monumento à permanência do sistema tonal diatônico”, pois “suas insistentes assertivas da tonalidade de Dó maior são uma poderosa reafirmação das virtudes do sistema tonal clássico”. Reunindo os principais temas da ópera, o prelúdio começa com uma melodia que celebra a dignidade dos Mestres Cantores, e conclui de maneira grandiloqüente e jubilosa, festejando a vitória dos novos ideais estéticos personificados por Stolzing (e nos quais Wagner obviamente projetava seu próprio ‘vanguardismo’) sobre o conservadorismo de Beckmesser/Hanslick.

Irineu Franco Perpetuo é jornalista, colaborador do jornal Folha de S.Paulo, correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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