Giuseppe Verdi
John Neschling regente
Coro da Osesp
Gravada em setembro de 2001 na Sala São Paulo.

Foto: Alexandre Felix
Os fragorosos aplausos com que o público do Teatro Alla Scala de Milão consagrou, a 9 de março de 1842, o Coro dos Escravos Hebreus durante a estreia da ópera Nabucco asseguraram a seu autor, Giuseppe Verdi (1813-1901), um lugar definitivo no panteão dos grandes compositores italianos. Com muitas liberdades históricas, o argumento de Nabucco fala dos judeus arrastados em cativeiro para a Babilônia sob o jugo de Nabucodonosor. Quando o coro lançou os primeiros acordes daquela melodia tão simples quanto sublime, cantando as palavras Va pensiero sull’ali dorate (Vai pensamento, sobre asas douradas), uma espécie de fagulha espiritual percorreu a plateia.
A Itália atravessava um momento histórico crucial. Não existia ainda como nação, era fragmentada em vários estados. A Lombardia, região da qual Milão era a capital, encontrava-se sob a férrea dominação do Império Austríaco. O anseio popular pela libertação, que logo mais se refletiria nas árduas batalhas do risorgimento, o movimento pela unificação italiana, era forte e genuíno. O público que lotava a sala do velho teatro naquela noite mágica identificou imediatamente os sofrimentos dos judeus, cuja pátria fora invadida e dominada pelos babilônios, com a humilhação que os milaneses eram obrigados a padecer sob os austríacos. A partir desta metáfora, Va Pensiero tornou-se o símbolo musical do risorgimento e é, ainda hoje, o hino da liberdade de todos os povos.
Trecho inicial do ensaio A Presença Judaica na Ópera, publicado no livro Contos de Óperas e Cantos, de Sergio Casoy (Editora ALGOL, 2009), gentilmente cedido pelo autor.






1 - Braulio Ponsoni diz:
Simplesmente divino.
Absoluto.
Parabéns Naomi e todo o grupo.
11/02/2010 20:44