Wolfgang Amadeus Mozart
Arcádio Minczuk oboé
Israel Silas Muniz oboé
Sérgio Burgani clarinete
Daniel Rosas clarinete
José Arion Liñarez fagote
Francisco Formiga fagote
Dante Yenque trompa
Luciano Pereira do Amaral trompa
Gravada em março de 2006 na Sala São Paulo.
A serenata tomou forma no século XVI, como uma canção interpretada por um amante à janela de sua amada; evoluiu, na Salzburg do século XVIII, para uma forma de música ao ar livre, reunindo instrumentos que poderiam ser tocados enquanto se caminhava. Leopold, o pai de Mozart, e Michael, irmão de Joseph Haydn, foram alguns dos compositores que escreveram muitas serenatas em Salzburg. Mozart mesmo, quando se mudou para Viena em 1781, adaptou várias de suas serenatas —que apresentavam cinco e até mais movimentos de danças entremeados com movimentos convencionais como allegro e adagio—, transformando-as em sinfonias.
Esta Serenata KV 375 para instrumentos de sopro surgiu como sexteto em outubro de 1781, com pares de clarinetes, fagotes e trompas; e em julho do ano seguinte como octeto, com o acréscimo de dois oboés. Só que desta vez Mozart levou o gênero a sério, como confessa numa carta ao pai: “Já estava tirando a roupa para deitar quando fui surpreendido com um grupo de músicos em minha janela tocando uma de minhas serenatas. Como ela foi escrita para mostrar à senhora Van Strack como são as minhas composições, eu a escrevi com intenção um pouco mais séria”. Ele não a chamou de Nachtmusik, ou música noturna, em 1781, mas quando acrescentou os oboés usou a expressão.
É no allegro maestoso inicial que Mozart aplica-se em evidenciar seus talentos musicais. Desde o primeiro acorde sobressaem ousadias harmônicas, muitas dissonâncias e estranhas modulações —tudo para impressionar a senhora Van Strack. O minueto, em seguida, é convencional, mas o trio na tonalidade menor exibe estranhas dissonâncias nas trompas. O adagio esbanja belas melodias, enquanto o segundo minueto privilegia notas agudas no oboé e no clarinete. E o allegro final brinca com a seriedade, mas deixa triunfar o clima informal que deve mesmo presidir uma serenata.
Jorge Coli é professor na área de História da Arte e da Cultura da Unicamp — Universidade Estadual de Campinas.






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