Gioacchino Rossini
- Kyrie
Naomi Munakata regente
Coro da Osesp
Gravada em novembro de 2008 na Sala São Paulo

Após ter mudado dramaticamente o rumo de sua vida, ao se retirar da vida artística e desistir da composição em 1830, Gioacchino Rossini criou somente duas obras verdadeiramente importantes no longo período de 38 anos que antecedeu a sua morte.
Curiosamente, trata-se de duas obras de inspiração religiosa: o Stabat Mater composto na Itália em 1842 e a Petite Messe Solennelle escrita em Paris no verão de 1863.
Rossini compôs a Petite Messe Solennelle em sua propriedade de Passy, nos arredores de Paris. A notícia de que o grande mestre italiano havia completado uma nova obra sacra de grande porte causou sensação. Já em agosto de 1863, essa novidade havia atravessado o Atlântico, e a revista norte-americana Aesthetic Magazine publicou um artigo com o título de ‘A Missa misteriosa de Rossini’.
A obra foi concebida para doze cantores (quatro solistas e oito cantores adicionais), dois pianos e harmônio. Apesar de não ser possível comprovar se a missa foi encomendada a Rossini por seus banqueiros e amigos pessoais Conde e Condessa Alexis e Louise Pillet-Will, o manuscrito autógrafo, preservado em Pesaro, reforça essa teoria: traz uma dedicatória à Condessa Louise. A composição foi estreada na segunda-feira, dia 14 de março de 1864 às 10 horas da manhã, para um grupo especial de convidados, entre os quais o grande compositor Giacomo Meyerbeer. A ocasião celebrava a consagração da capela particular da nova mansão construída pelo Conde na Rue de Moncey, nº 12.
O Conde e Condessa Pillet-Will e seus familiares eram amigos íntimos de Rossini desde o momento em que o compositor e sua esposa, Olympe, chegaram a Paris vindos de Florença, no final de maio de 1855.
Apesar de a Petite Messe Solennelle ter sido apresentada somente para convidados, informações detalhadas sobre o evento foram divulgadas pela imprensa parisiense. As duas solistas que participaram da estréia da obra foram Carlotta e Barbara Marchisio, respectivamente soprano e contralto ―cantoras que Rossini admirava muito especialmente. As vozes masculinas foram confiadas ao tenor Ítalo Gardoni e ao baixo belga Louis Agniez (mais conhecido como Luigi Agnesi). Contrariando as instruções do próprio compositor, que havia previsto na partitura a participação de somente oito cantores no coro, aquele que se apresentou na estréia da missa era formado de quinze alunos do conservatório. Desse modo, dezenove cantores estiveram envolvidos no concerto particular. O conjunto, dirigido por Jules Cohen, contou com Georges Mathias e Andrea Peruzzi, que se encarregaram das partes dos dois pianos, e ainda com Albert Lavignac, que tocou o Harmonicorde-Debain (instrumento construído por Alexandre François Debain e da mesma família do harmônio).
A obra foi apresentada novamente na residência dos Pillet-Will no ano seguinte, na presença de Rossini e com os mesmos intérpretes da estréia e, para que isso se tornasse possível, o Conde trouxe especialmente as irmãs Marchisio de Florença.
Amaral Vieira é compositor e pianista.




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