Mikhail Glinka
Abertura
John Neschling regente
Osesp
Gravada em outubro de 2008 na Sala São Paulo

foto: João Musa
Glinka foi criado por uma avó, recluso num lugarejo da zona rural russa, e até a idade de 11 anos nunca ouviu música ocidental, somente sinos de igreja e as canções de camponeses e cocheiros. Mais tarde, como estudante na Alemanha, deu-se conta de que sua missão era a de ‘russificar’ a música russa, que até então se atinha a modelos italianos e germânicos. Sua imaginação naturalmente se desabrochava em ritmos ágeis e admitia o modalismo e a dissonância de origem folclórica, o que o colocou na historia como “pai” da música nacionalista russa, especialmente por conta de suas duas óperas: Uma Vida pelo Czar e Russlan e Ludmila.
O libreto desta última deveria ter sido escrito por Pushkin, mas ele morreu num duelo antes de concretizá-lo. O argumento bizarro – o resgate de uma princesa raptada por um anão maligno – passou então por várias mãos, e o resultado e um dos libretos mais estrambóticos da história, que só é salvo pela música empolgante. Glinka cria o sotaque russo em ópera: contos de fadas, ritmos galopantes, brilho orquestral e o uso de escalas exóticas para representar as forças do mal. A abertura – que não se furta a influencia de Mendelssohn– faz um apanhado dos temas mais memoráveis e é uma showpiece favorita de todas as orquestras.
Fábio Zanon é músico.




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