O que faz uma temporada de música sinfônica ser considerada brilhante?
O que faz uma temporada de música sinfônica ser considerada brilhante?
Carlos Gomes
Desde a inauguração da Sala São Paulo, em julho de 1999, o público está acostumado a ouvir o mesmo sinal sonoro no começo e nos intervalos dos concertos. O alerta de que a apresentação está prestes a começar é um trecho de Alvorada, da obra Lo Schiavo de Antonio Carlos Gomes, gravado pelos músicos da Osesp Gilberto Siqueira e Marcelo Matos (trompetes) e Wagner Polistchuk e Fernando Chipoletti (trombones).
Alvorada está inserida no IV ato da ópera. Ela “recria, em sons, o nascer do sol num Brasil imaginário, um Brasil virgem e selvagem, um Brasil de ópera. Seu início faz referência à idéia que preside o começo de O Ouro do Reno de Richard Wagner. Um longo pedal grave sugere a noite. Sobre ele, a luz do sol que desponta surge aos poucos, com os brilhos dos metais, num belo tema” (Jorge Coli, Programa de Concerto 10/2007). A obra integra o catálogo da editora musical da Osesp, Criadores do Brasil, e sua partitura está disponível para venda ou aluguel.
Carlos Gomes, assim como Camargo Guarnieri e Eleazar de Carvalho, nomeia um dos espaços da Sala São Paulo.
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Comemoração dos 15 anos de fundação do Coral Sinfônico do Estado e lançamento do CD Canções do Brasil.
Osvaldo Lacerda
Naomi Munakata regente
Coro da Osesp
Eduardo Gianesella percussão
Gravada em julho de 2009 na Sala São Paulo
Nos dia 25 e 26 de setembro o Coro da Osesp lança seu primeiro CD, Canções do Brasil, e aproveita para comemorar os 15 anos do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo, que deu origem ao Coro da Osesp.
A composição Ofulú Lorêrê faz parte deste CD, que passeia pelo canto coral brasileiro. Escrita por Osvaldo Lacerda em 1958 a canção usa melodia coletada em 1937, na Bahia, por Camargo Guarnieri.
Gravada em 3 de junho de 2009
O compositor santista José Antonio Almeida Prado fala sobre a experiência de compor para o filme silencioso Études sur Paris (1928), de André Sauvage.
“Compus uma melodia tipicamente no clima de Edith Piaf e quem toca na sua primeira aparição é um acordeão francês, a musette. O som de Paris! Esse tema tão parisiense apareceu inúmeras vezes, ora no acordeão, ora no trompete solo, no trombone etc…”
Johannes Brahms
John Neschling regente
Osesp
Gravada em março de 2005 na Sala São Paulo
Em uma época de nacionalismos musicais (as Danças norueguesas de Grieg são de 1869, as Danças eslavas de Dvorák, de 1878…), o caráter esfuziante e langoroso das Danças húngaras de Brahms, seus requebros e acelerações, as imitações do violino e de outros efeitos da orquestra cigana surtiam um efeito que fez a fortuna do editor Simrock (mas não de Brahms, que as vendeu a preço fixo…). Compostas no tempo 2/4, elas reproduzem a alternância dos andamentos lassu (lento, geralmente em tonalidade menor) e friss (rápido, em tonalidade maior) das danças típicas húngaras conhecidas como verbunkos.
Clóvis Marques é jornalista e crítico musical
Johannes Brahms
John Neschling regente
Osesp
Gravada em março de 2005 na Sala São Paulo

foto: André Conti
A Dança nº 1 (allegro molto), uma czardas (dança de taberna), começa com um tema voluptuoso que é dos mais conhecidos da série. A nº 3 (allegretto) é uma leve dança nupcial tomada de empréstimo a uma coletânea do compositor popular J. Rizner, mais ameaçadora e agitada em sua parte intermediária. Nas três partes da Dança nº 4 (poco sostenuto), tirada de coletânea de N. Merty, Brahms quis imitar, já na versão para piano, os torneios e sonoridades da orquestra cigana. A Dança nº 10 (presto) é outra dança nupcial colhida em J. Rizner. A de nº 20 (poco allegretto) retoma em sua parte inicial o caráter nostálgico da primeira, com o episódio central cheio de animação.
Clóvis Marques é jornalista e crítico musical.
Johannes Brahms
John Neschling regente
Osesp
Gravada em março de 2005 na Sala São Paulo
JOHANNES BRAHMS
Hamburgo (Alemanha), 07 de maio de 1833
Viena (Áustria), 3 de abril de 189
Exímio pianista, começou a carreira como arranjador da pequena orquestra dirigida pelo pai. Aos 30 anos, estabeleceu-se em Viena como diretor da Singakademie. Desde a juventude, teve grande afinidade artística com Robert Schumann e apaixonou-se pela esposa deste, Clara, 14 anos mais velha. No repertório destacam-se o Réquiem alemão, as quatro sinfonias e as Variações sobre um Tema de Haydn. Aos 68 anos, após publicar o Quinteto Op.111, praticamente parou de compor e iniciou uma fase de revisão. Fez alterações substanciais em algumas obras e queimou aquelas que julgou de menor valor artístico.
Johannes Brahms
John Neschling regente
Osesp
Gravada em abril de 2005 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
O lado feliz e extrovertido de Brahms — que em poucos momentos transparece em sua música—, o jeito muito pessoal com o ritmo e a síncope e a impregnação das paisagens musicais centro-européias se refletem nas 21 Danças húngaras, compostas em duas séries de dez e onze, respectivamente em 1869 e 1880. A influência da vizinha Hungria se fez sentir cedo em sua vida, quando, aos 20 anos, ele formou duo com o violinista húngaro Eduard Remenyi; são numerosas suas obras orquestrais, de câmara e para piano em que tem vazão esse gosto pelo estilo cigano.
Compostas a partir de temas populares para piano a quatro mãos —na época, a mais popular maneira de fazer música em casa—, somente as Danças de nºs 1, 3 e 10 do primeiro livro foram orquestradas pelo próprio Brahms.
Clóvis Marques é jornalista e crítico musical.
Ottorino Respighi
- O Cuco (trecho)
Victor Hugo Toro regente
Orquestra de Câmara da Osesp
Gravada em setembro de 2008 na Sala São Paulo

foto: João Musa
A suíte Os Pássaros é inspirada em peças de antigos compositores italianos e franceses e recria, com pureza, a atmosfera musical do período barroco.
Um espirituoso prelúdio do organista romano Bernardo Pasquini (século XVII) abre a cortina dos tempos. Segue-se A Pomba, expressiva composição de Jacques Gallot (século XVI), em solo de oboé. Ao final, em sutil efeito, Respighi sugere o levantar de vôo da ave, ao som de um leve glissé ascendente da harpa.
Ottorino Respighi
- Prelúdio (trecho)
Victor Hugo Toro regente
Orquestra de Câmara da Osesp
Gravada em setembro de 2008 na Sala São Paulo

foto: Desirée Furoni
Excelente instrumentista, de temperamento lírico e amante dos grandes efeitos musicais, com apenas 21 anos, Respighi é contratado como violinista da Orquestra da Ópera de São Petersburgo. Na Rússia, sob a orientação de Rimsky-Korsakov, aprimora-se em composição e orquestração. Posteriormente, estudou na Alemanha, com Max Bruch. Essas oportunidades permitiram-lhe desenvolver um estilo próprio, unindo sua exímia técnica instrumental às conquistas harmônicas e colorísticas do impressionismo francês.
Gioacchino Rossini
- Et vitam venturi saeculi
Naomi Munakata regente
Coro da Osesp
Gravada em novembro de 2008 na Sala São Paulo

foto: Ana Fuccia
A Petite Messe solennelle teve sua primeira execução pública em 1869 ―após, portanto, a morte de Rossini―, no Théâtre Italien e na versão orquestral que havia sido elaborada pelo compositor nos anos de 1866-67.
O título da obra é enganador, pois a Petite Messe solennelle ―com duração de cerca de 80 minutos!― não é nem petite nem muito solennelle. Poderíamos acrescentar que a obra tampouco é especialmente litúrgica…
Rossini disse que a Petite Messe solennelle foi o seu “derradeiro pecado mortal de velhice”. O manuscrito da obra contém anotações muito interessantes, que revelam a natureza espirituosa e perspicaz do compositor, ao dirigir-se diretamente a Deus:
“Bom Deus. Está concluída esta pobre pequena missa. Será que é mesmo música sacra que eu acabo de fazer ou uma música maldita? Eu nasci para a Opera buffa, tu bem o sabes! Um pouco de conhecimento, um pouco de coração, tudo está lá. Seja abençoado e me conceda o Paraíso.”